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  • Foto do escritorRosiane Rodrigues

Dia das mães: mulheres compartilham as emoções e desafios de ser 'mãe de primeira viagem'

Nascimento do primeiro filho é marcado por mix de sentimentos e mudanças; especialistas do Materno-Infantil de Barcarena explicam todas alterações físicas e mentais causadas pela maternidade

Geovana Caldas no leito do HMIB para cuidados durante a gestação (Crédito da foto: Pró-Saúde).

De acordo com especialistas, tornar-se mãe pela primeira vez é mais intenso, de forma física e emocional, do que as experiências posteriores de maternidade. Isso porque o corpo, a mente e a vida da mulher passam por diversas mudanças, por vezes desconhecidas, o que gera muitas dúvidas e incertezas.


Para Giovana Caldas, 33 anos, vendedora que vive em Abaetetuba, a alegria e o medo, apesar de opostos, são sentimentos comuns neste período de espera pelo nascimento de seu primeiro bebê. Depois de 12 anos tentando engravidar, ela finalmente caminha para a realização do sonho de ser mãe.


“Estou com 27 semanas de gestação. São muitos anos tentando viver essa experiência e agora eu consegui. As mudanças no corpo, com a barriga crescendo, é uma mistura de sentimentos e sensações. Tudo é novo. Tem sido um desafio, mas esse momento foi muito desejado. Ser mãe é o meu sonho”, declara emocionada.

Com a inauguração do Hospital Materno-Infantil de Barcarena Dra. Anna Turan (HMIB), em Barcarena, no mês de setembro de 2018, referência para atendimentos de alta e média complexidade na região do Baixo Tocantins, Giovana conseguiu fazer tratamento e acompanhamento médico para engravidar.


“Eu já havia desistido, os médicos me deixaram ciente sobre a probabilidade da gravidez não acontecer. Quando veio o resultado foi uma surpresa até mesmo para eles”, relembra. “Devido a gestação ser de risco, estou aqui no Materno-Infantil para ser cuidada, eles estão me acompanhando em tudo”, explica Giovana.


Mudanças Físicas


De acordo com a obstetra Ana Carla Lima, que atua na entidade filantrópica Pró-Saúde, as alterações no corpo podem variar bastante. “As náuseas e vômitos são comuns, assim como possíveis dores no corpo e mal-estar. Mas, vale lembrar que outros sintomas, como cólicas e sonolência, também são bastante frequentes em gestantes”, ressalta.


“Além disso, aumento dos níveis hormonais de progesterona podem levar à constipação intestinal, dificuldade de esvaziamento gástrico após as refeições e aumento do refluxo gastro-esofágico. A gestante vai ter um aumento de peso de acordo com o metabolismo”, complementa Ana Carla.

Segundo a profissional, outras alterações ficam mais evidentes com cada fase da gravidez. “Os seios mudam de forma, há mais vontade de urinar, devido a bexiga ter menos espaço, e algumas partes do corpo podem ter um tom mais escuro. Normalmente, o cabelo também pode ter mais brilho ou cair devido as alterações hormonais”, acrescenta a obstetra.

Créditos das fotos: Pró-Saúde


Mudanças Mentais


Daniella Dias, psicóloga HMIB, afirma que a maternidade traz diversos desafios e é uma fase emocionalmente intensa. “Ser mãe pela primeira vez é tão difícil porque é uma experiência nova. A insegurança nessa fase da vida tende a ser muito comum", afirma a profissional.


De acordo com a especialista, as mudanças fisiológicas e hormonais podem refletir em mudanças emocionais. “Um dos principais motivos é a sensação de imperfeição diante das demandas presentes nos cuidados com o bebê, gerando diversos sentimentos como medo, angústia e frustração diante as tarefas”, aponta.


Essa atenção aos cuidados com o bebê, pode também refletir no distanciamento de outros membros da família e principalmente no autocuidado, segundo Daniella.


“A mãe precisa reorganizar a vida pessoal, profissional e social, sustentando ainda o lugar de ‘mãe suficientemente boa’. Essa dinâmica, dependendo da energia investida, pode causar adoecimento”, enfatiza Daniella.

É importante que a rede de apoio familiar esteja fortalecida, segundo a psicóloga. "Peça ajuda quando precisar, descanse a mente e o corpo, tire um momento para se cuidar, pratique atividade física, durma enquanto o bebê dorme", orienta.

"Esteja próximo de pessoas que te ajudam a pensar positivamente e a respeitar a sua nova fase", complementa a psicóloga.


Novas experiências


Para Adrielma Ribeiro, 24 anos, mãe do Arthur e moradora de Baião, a mudança veio com o entendimento de novas responsabilidades. “Você tem que aprender a ajustar completamente suas prioridades, horários e relacionamentos para atender as necessidades do filho”, conta.

Arthur precisou ser internado por problemas de saúde para tratamento no Materno-Infantil de Barcarena, recebendo toda a assistência necessária na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI), onde está há cerca de dez dias. A mãe comenta que as mudanças pós-parto foram mais desafiadoras e em breve, terá a experiência de cuidar sozinha do primeiro filho em casa.


“Estou aprendendo a lidar com a privação de sono e mudanças de humor. As vezes, me sinto fisicamente desconfortável, mas, ao mesmo tempo, é uma alegria e muito emocionante essa ligação que eu tenho com ele”, pondera a dona de casa.


“Eu estou aprendendo muito aqui. O Arthur também me trouxe desafios e já mudou minha mentalidade para o ‘modo mãe’. Quero saber tudo: como trocar, amamentar, se é para embalar, como agir com a dor do bebê. Para isso, eu conto com ajuda dos profissionais da unidade. Você sente um alívio por ter uma direção”, declara Adrielma.

O Hospital Materno-Infantil de Barcarena conta com uma equipe médica e multiprofissional para atender as necessidades das mães, antes, durante e após o nascimento do bebê. Por meio de acompanhamento pré-natal, curso de gestantes e aulas de preparação ao parto, as mulheres têm uma assistência completa para se tornarem mães.


Desde a sua inauguração pelo Governo do Pará, a unidade é gerenciada pela entidade filantrópica Pró-Saúde, uma das maiores instituições na gestão hospitalar do País.


Com um atendimento 100% gratuito pelo SUS (Sistema Único de Saúde), o Materno-Infantil de Barcarena já realizou mais de 3 mil partos e cerca de 165 mil atendimentos nos seus dois anos de funcionamento, entre consultas, internações, exames e cirurgias.



Por Adrielle Lopes- HMIB/ Pró-Saúde.

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